Testes de dígitos por município e UF
Dígitos dos votos
Curva de Benford do 1º dígito. Informativa: o 1º dígito é dominado pelo tamanho típico das seções e não serve como alerta.
Como funciona a análise de dígitosmostrar ▾recolher ▴
A ideia
Quando alguém inventa ou ajusta números à mão, os algarismos costumam sair com “vícios”: as pessoas preferem terminar em 0 ou 5, evitam repetir o mesmo final e espalham os dígitos de um jeito “redondo demais”. Contagens reais não têm essas preferências. Esta página procura esses vícios nos votos de cada candidato.
Último dígito: o teste que gera alarme
- Para um candidato, num turno, em todas as seções de um município (ou de uma UF), olhamos o algarismo das unidades dos votos: em 137 votos, o dígito é 7.
- Só entram valores a partir de 10 votos e grupos com pelo menos 100 seções.
- Numa contagem real, cada final (0 a 9) aparece perto de 10% das vezes. O esperado, porém, é calculado a partir da própria distribuição de votos do grupo, o que evita falsos alarmes em lugares de votação muito pequena.
- Vira alarme quando duas condições se somam: o desvio é raro mesmo depois da correção para os milhares de grupos testados, e é grande o bastante para importar, não só detectável. Em média, até 1 em cada 20 alarmes pode ser acaso.
Lei de Benford (1º e 2º dígito): só informativa
É o teste famoso de fraude contábil, mas não serve para votos por seção: as seções têm tamanhos parecidos e os votos ficam numa faixa estreita. Nos dados reais, praticamente todos os municípios “reprovariam” sem haver problema nenhum. Por isso essas curvas aparecem nas abas ao lado só como informação e nunca geram alarme.
Como ler esta página
| Parte | O que mostra |
|---|---|
| Filtros | Nível (município ou UF), UF, município, turno, candidato e se quer ver só alarmes. |
| Gráfico | Barras: com que frequência cada dígito final apareceu. Linha tracejada: o esperado. Uma barra que se afasta muito da linha é um padrão raro. |
| Tabela de grupos | Cada linha é um candidato, num turno, num lugar: o tamanho do desvio (MAD, comparado com o que o acaso daria), a raridade (p) e o selo de alarme. |
| Aplicabilidade | Adequada: o teste vale para o grupo. Limitada: os votos do candidato quase não variam de uma seção para outra (pouquíssimos valores diferentes), então os finais ficam presos a essa faixa estreita e o teste não é confiável; mesmo um p muito pequeno não vira alarme. Amostra insuficiente: menos de 100 seções com voto. |
O que a análise encontrou
Foram testados 4.046 grupos no último dígito, com 3 alarmes: Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno em Estância/SE; Flavio Nantes Bolsonaro no 1º turno em Contagem/MG; Flavio Nantes Bolsonaro no 1º turno em Aracati/CE. Um alarme indica que, naquele lugar, os finais dos votos fugiram do padrão esperado. Não indica fraude: o próximo passo é conferir os boletins dessas seções e considerar as explicações comuns (erro de digitação em boletins recuperados, seções muito parecidas entre si, simples acaso).
Limite
O teste de dígitos detecta números inventados ou ajustados à mão. Outros tipos de problema ficam a cargo dos demais módulos: repetições, variações entre turnos e repetições no Brasil.
O gráfico compara a frequência de cada dígito (barras) com a curva de Benford (linha tracejada). Votos por seção raramente seguem Benford, por isso este teste é só informativo e não gera alarme.
UF SP
Flavio Nantes Bolsonaro · 2º turno · 1º dígito (Benford) · 103.656 seções com voto
Maior desvio no dígito 1: 80,7% observado contra 30,1% esperado.
Ver como tabela
| Dígito | Contagem | Observado | Esperado |
|---|---|---|---|
| 1 | 83.628 | 80,7% | 30,1% |
| 2 | 4.512 | 4,4% | 17,6% |
| 3 | 109 | 0,1% | 12,5% |
| 4 | 210 | 0,2% | 9,7% |
| 5 | 436 | 0,4% | 7,9% |
| 6 | 1.116 | 1,1% | 6,7% |
| 7 | 2.498 | 2,4% | 5,8% |
| 8 | 4.451 | 4,3% | 5,1% |
| 9 | 6.696 | 6,5% | 4,6% |
- MAD
- 0,1166
- MAD esperado pelo acaso
- 0,0007
- Qui-quadrado
- 136.024,4
- p-value
- < 10⁻³⁰⁰
- q-value
- < 10⁻³⁰⁰
- Aplicabilidade
- Limitada
Raridade
Grupos
Cada linha é um grupo testado: um candidato, num turno, num município ou UF. A tabela mostra quão longe a distribuição de dígitos ficou do esperado e se isso virou alarme. Ordenados por alarme e significância. Grupos com menos de 100 seções com voto aparecem como amostra insuficiente e não são testados. O gráfico acima mostra o primeiro grupo da lista; clique no nome de um lugar para vê-lo no gráfico.
| Grupo | Candidato | Turno | Obs. | MAD | MAD pelo acaso | p | Aplicabilidade | Situação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| UF SP | Flavio Nantes Bolsonaro | 2º | 103.656 | 0,117 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF SP | Luiz Inácio Lula da Silva | 2º | 103.656 | 0,098 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF SP | Luiz Inácio Lula da Silva | 1º | 103.655 | 0,075 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF SP | Flavio Nantes Bolsonaro | 1º | 103.655 | 0,113 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF SP | Augusto Jorge Cury | 1º | 103.264 | 0,057 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF SP | Renan Antonio Ferreira dos Santos | 1º | 102.636 | 0,042 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF SP | Ronaldo Ramos Caiado | 1º | 102.044 | 0,053 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF SP | Romeu Zema Neto | 1º | 53.510 | 0,076 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Luiz Inácio Lula da Silva | 2º | 52.062 | 0,105 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Luiz Inácio Lula da Silva | 1º | 52.061 | 0,086 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Flavio Nantes Bolsonaro | 2º | 52.060 | 0,090 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Flavio Nantes Bolsonaro | 1º | 52.057 | 0,087 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Augusto Jorge Cury | 1º | 51.307 | 0,042 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Ronaldo Ramos Caiado | 1º | 49.211 | 0,037 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Renan Antonio Ferreira dos Santos | 1º | 48.637 | 0,031 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF MG | Romeu Zema Neto | 1º | 38.532 | 0,043 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF RJ | Luiz Inácio Lula da Silva | 1º | 37.675 | 0,089 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF RJ | Flavio Nantes Bolsonaro | 1º | 37.675 | 0,115 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF RJ | Luiz Inácio Lula da Silva | 2º | 37.675 | 0,104 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF RJ | Flavio Nantes Bolsonaro | 2º | 37.675 | 0,116 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF RJ | Augusto Jorge Cury | 1º | 37.420 | 0,060 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF RJ | Ronaldo Ramos Caiado | 1º | 37.122 | 0,056 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF RJ | Renan Antonio Ferreira dos Santos | 1º | 36.910 | 0,045 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF BA | Luiz Inácio Lula da Silva | 2º | 35.476 | 0,106 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |
| UF BA | Luiz Inácio Lula da Silva | 1º | 35.476 | 0,100 | 0,001 | < 10⁻³⁰⁰ | Limitada | não testável |