Fonte TSE, dados abertosvotacao_secao_2026_BR.zip · sha256 c928321f63f2…499.248 seçõesexecução tse-20261029184322 · 29/10/2026, 18:44

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Laudo estatístico · UF MS

Laudo técnico de auditoria estatística da votação por seção para Presidente: Mato Grosso do Sul (UF MS), eleições de 2026

Resumo

Este laudo apresenta os resultados de uma auditoria estatística dos dados de votação por seção eleitoral para o cargo de Presidente, publicados pelo TSE (BRASIL, 2026). O escopo é a UF MS, com 7.106 seções e 49 zonas eleitorais. Alguns módulos de horário de encerramento, biometria e repetições nacionais abrangem o Brasil inteiro. Nenhuma das 49 zonas deu alarme nos testes de empates e de resultado idêntico. Os módulos de último dígito e de repetições exatas por zona não registraram anomalias. A análise nacional de repetições também não encontrou nenhum número de votos em excesso. Houve uma única anomalia estatística no Mato Grosso do Sul: a variação da taxa de abstenção entre os turnos em uma seção de Porto Murtinho. Esse padrão é raro, mas as checagens automáticas não apontaram divergência nos dados. No plano nacional, as seções que encerraram tarde no 2º turno não mostram diferença detectável na fatia dos finalistas quando comparadas a seções da mesma zona. Anomalia estatística indica onde olhar, não o que concluir. Nenhum resultado deste laudo constitui, por si só, evidência de irregularidade.

Palavras-chave: auditoria estatística. Eleições presidenciais. Seção eleitoral. Mato Grosso do Sul. Controle de falsas descobertas.

Introdução

O objetivo deste laudo é traduzir, para leitores não especialistas, os resultados de testes estatísticos aplicados aos votos por seção eleitoral no cargo de Presidente. Os testes procuram padrões raros, isto é, valores que se afastam do comportamento de seções semelhantes do mesmo grupo de referência (zona, município ou UF).

O escopo é a UF MS. Ele reúne 7.106 seções eleitorais em 49 zonas. Os dados vêm dos arquivos públicos de votação por seção, de detalhe da votação e de candidaturas do TSE (BRASIL, 2026). A integridade desses arquivos já foi verificada: os arquivos de votação têm o SHA-256 registrado na carga, e os boletins de urna foram conferidos contra o SHA-512 publicado pelo TSE no download.

Três módulos têm abrangência nacional, e isso é indicado em cada caso: repetições nacionais, horário de encerramento e biometria, e totais iguais entre zonas.

Metodologia

Análise por zona. A zona eleitoral é a primeira unidade de análise. Em cada zona e turno, conta-se quantos pares de seções deram exatamente o mesmo número de votos a um finalista (empates). Conta-se também quantos pares deram o mesmo resultado aos dois finalistas ao mesmo tempo (resultado idêntico). O esperado vem dos pares a 1 e 2 votos de distância na própria zona, com correção de curvatura. A variância é ajustada aos próprios dados por nulo empírico (EFRON, 2004). A zona também é testada pela concentração de seções com alarme, contra o esperado pelo seu tamanho.

Último dígito. Observa-se o último dígito dos votos de cada candidato por seção, para valores a partir de 10. Ele é comparado a uma expectativa suave do próprio município ou UF (BEBER; SCACCO, 2012). Os testes do 1º e do 2º dígito pela Lei de Benford (NIGRINI, 2012) são apenas informativos. Votos por seção variam em faixa estreita e reprovam Benford sem que isso indique problema.

Repetições exatas. Conta-se o número de seções da zona com exatamente o mesmo número de votos para um candidato. Essa contagem é comparada à distribuição de votos da zona e à contagem nos valores vizinhos.

Repetições nacionais. Para cada candidato e turno, conta-se quantas seções do Brasil deram exatamente cada número de votos. O resultado é comparado ao esperado pelos valores vizinhos.

Variações entre turnos. Compara-se a variação de cada seção entre o 1º e o 2º turno com as demais seções da zona (ou do município ou UF). A comparação usa mediana e desvio absoluto mediano, medidas pouco sensíveis a valores extremos.

Horário de encerramento e biometria. Comparam-se as seções que encerraram tarde com seções da mesma zona. Também se mede a associação entre a liberação sem biometria e o voto, com erros-padrão robustos (MACKINNON; WHITE, 1985).

Comparativo entre turnos. Este módulo é descritivo e não gera alarmes. Ele faz o balanço exato de onde vieram os votos acrescidos aos finalistas. A divisão de cada fonte entre eles é estimada por regressão ecológica (GOODMAN, 1953), com intervalo de confiança de 95%.

Controle de falsas descobertas. Os níveis de significância controlam a taxa de falsas descobertas em 5% (BENJAMINI; HOCHBERG, 1995). Em média, até 1 em cada 20 alarmes pode ser fruto do acaso.

Resultados

Panorama por zona

A análise começa pela zona porque somar a zona inteira revela padrões que, testados valor a valor, se perdem entre milhares de testes. Cada uma das 49 zonas do escopo foi testada em cada turno. Isso resultou em 98 testes por critério.

Testes por zona em MS

CritérioTestes (zona e turno)Pares observadosPares esperadosAlarmes
empates de LULA9822.17522.298,20
empates de FLAVIO BOLSONARO9818.23718.238,60
resultado idêntico dos dois finalistas98331328,40

Nos três critérios, os pares observados ficaram muito próximos dos esperados. Nenhuma zona deu alarme. No total, 0 das 49 zonas teve alarme.

Zonas prioritárias. O sistema listou zonas para exame, em ordem de prioridade. Nenhuma tem alarme nem achados de empates ou resultado idêntico. Nenhuma tem alarmes de repetição por valor.

Zonas prioritárias e seções com alarme

PrioridadeLocalSeçõesCom alarmeSeções com alarmeEsperadas pelo tamanho
84Campo Grande/MS, zona 8417não00,18
89Ivinhema/MS, zona 27 (e mais 2 municípios)112não10,05
170Aquidauana/MS, zona 10143não00,06
201Campo Grande/MS, zona 44311não00,13
306Bonito/MS, zona 3064não00,03
311Paranaíba/MS, zona 13107não00,05
324Dourados/MS, zona 43 (e mais 2 municípios)319não00,13
329Naviraí/MS, zona 2136não00,06
408Mundo Novo/MS, zona 33 (e mais 3 municípios)129não00,05
428Amambai/MS, zona 1 (e mais 1 município)128não00,05

A zona 27 (Ivinhema e mais 2 municípios) reúne 1 seção com alarme de biometria. O esperado pelo tamanho da zona era 0,05. Mesmo assim, o sistema não classificou o caso como concentração de alarmes. Essa seção fica em Angélica e é detalhada na subseção de biometria.

Zona mais próxima do limiar. A zona que mais se aproximou do limiar sem atingi-lo foi Bataguassu/MS, zona 6 (e mais 1 município), no 2º turno, no critério de empates de FLAVIO BOLSONARO.

  • Foram observados 87 pares, contra 61,9 esperados.
  • O p-value foi 0,004 (raridade de cerca de 1 em 244).
  • O q-value foi 0,4001, alto demais para alarme depois do controle de falsas descobertas.
  • Os valores mais repetidos foram: 122 votos em 7 seções, 118 votos em 7 seções, 140 votos em 4 seções, 110 votos em 4 seções e 105 votos em 4 seções.

Essa zona é apresentada apenas como a mais próxima do limiar. Ela não constitui achado.

Totais iguais entre zonas (Brasil). Este teste vale para o país inteiro, com 2.641 zonas. Ele verifica quantos pares de zonas têm o mesmo total de votos para um finalista.

Pares de zonas com o mesmo total no Brasil

TurnoCandidatoPares observadosPares esperadosp-value
1LULA8492,80,831
1FLAVIO BOLSONARO10592,50,108
2LULA8177,50,360
2FLAVIO BOLSONARO9287,80,339

Nos quatro casos, o número de pares ficou dentro do esperado.

Último dígito

Foram gravados 1.791 testes de último dígito no escopo. Não houve nenhuma anomalia. A frequência dos últimos dígitos é compatível com a expectativa local em todos os casos testados.

Repetições exatas de votos

Foram gravados 376 testes de repetição exata por zona. Não houve nenhuma anomalia. Nenhuma zona de MS tem seções com o mesmo número de votos em excesso.

Mesmo número de votos em todo o Brasil

Este módulo vale para o Brasil inteiro, qualquer que seja o escopo. Sua abrangência são todas as seções instaladas, no 1º e no 2º turno. Foram testados 1.381 valores e houve 0 alarmes. Nenhum número exato de votos aparece em excesso no país.

Variações entre o 1º e o 2º turno

Foram gravados 261 testes de variação entre turnos. Houve 1 anomalia estatística.

Porto Murtinho/MS, zona 20, seção 23 (taxa de abstenção)

  • A taxa de abstenção passou de 27,8% no 1º turno para 40,3% no 2º turno, uma variação de 12,5 pontos.
  • O grupo de referência foi a própria zona, com 30 seções. Nesse grupo, a variação mediana foi de 1,0.
  • A seção ficou a 9,7 desvios robustos da mediana do grupo. Isso indica um aumento bem acima do padrão da zona.
  • O p-value foi 2,2 × 10^-6, com raridade de cerca de 1 em 457 mil. O q-value foi 0,0428, abaixo do limiar de 5%.
  • O número de eleitores aptos não divergiu entre os turnos.

Explicações benignas indicadas pelo sistema:

  • mudança de local de votação, transferência ou revisão de eleitorado entre turnos;
  • eventos locais no dia da eleição (clima, transporte, acesso);
  • seções especiais com eleitorado que muda entre turnos.

Checagens já realizadas pelo sistema:

ChecagemResultadoDetalhe
Boletim de urna × arquivo publicadoconfereOs votos do boletim são iguais aos do arquivo publicado.
Local de votaçãoconfereMesmo local nos dois turnos: EM BONIFÁCIO GOMES - POLO CACHOEIRA.
Eleitores aptosconfere72 aptos nos dois turnos.
Ata da seção e contexto localmanualDepende de documento fora do sistema.

Os dados disponíveis não trazem explicação para a variação. Resta conferir a ata e o contexto local.

Nenhuma seção do escopo foi identificada como provável agregação.

Horário de encerramento e biometria

Este módulo vale para o Brasil inteiro. As seções do exterior ficam fora da análise de horário.

Contexto. Por decisão do STF em 25/10/2026, as seções ainda abertas no 2º turno puderam funcionar até as 19h de Brasília. Urnas já encerradas não reabriram. O Boletim de Urna registra a abertura e o encerramento de cada urna, mas não a hora de cada voto. Considera-se tardia a seção que encerrou depois das 17h15 (horário de Brasília) no 2º turno. Houve 8.844 seções tardias no 2º turno.

Faixas de encerramento no Brasil

TurnoFaixaSeçõesComparecimentoPL (%)PT (%)
1até 17h0042.2049.776.95954,1737,33
117h01 a 17h15331.15279.938.80849,7141,92
117h16 a 17h5981.60322.689.79441,5751,58
118h00 a 18h5934.58710.063.84135,6658,64
119h00 ou depois8.3492.464.10828,367,38
2até 17h00125.62431.599.96050,9949,01
217h01 a 17h15363.42893.718.23047,3952,61
217h16 a 17h591.759466.25241,7258,28
218h00 a 18h59734208.93045,4154,59
219h00 ou depois6.3521.861.25944,8255,18

No 1º turno não houve prorrogação. Mesmo assim, houve encerramentos tardios por causa de filas, inclusive 8.349 seções às 19h00 ou depois. As seções que encerram tarde costumam ficar em regiões com perfil de voto próprio. Por isso, a comparação simples entre faixas mistura geografia com efeito. A estimativa a considerar é a comparação dentro da mesma zona.

Efeito do encerramento tardio (comparação na mesma zona, em pontos percentuais)

IndicadorComponenteNa zonaIC 95%p-valueDiferença detectável
fatia de FLAVIO BOLSONARO (PL)já no 1º turno−0,06−0,99 a 0,880,908não
fatia de FLAVIO BOLSONARO (PL)mudança do 1º para o 2º turno0,06−0,09 a 0,210,423não
fatia de LULA (PT)já no 1º turno0,07−0,83 a 0,960,879não
fatia de LULA (PT)mudança do 1º para o 2º turno0,0−0,14 a 0,140,989não
comparecimento (% dos aptos)já no 1º turno−0,34−0,67 a −0,010,044sim
comparecimento (% dos aptos)mudança do 1º para o 2º turno0,220,11 a 0,335,7 × 10^-5sim

As comparações simples mostravam diferenças maiores na fatia dos finalistas, como −3,74 para o PL e 3,03 para o PT já no 1º turno. Dentro da mesma zona, essas diferenças desaparecem. Não há diferença detectável na fatia de nenhum dos finalistas, nem no 1º turno nem na mudança entre turnos.

No comparecimento, a diferença é detectável nos dois componentes. Já no 1º turno, as seções que depois encerraram tarde tinham comparecimento um pouco menor (−0,34). Do 1º para o 2º turno, o comparecimento delas subiu um pouco mais (0,22). Esse resultado é compatível com a prorrogação ter permitido votar a quem estava na fila. O Boletim de Urna, porém, não informa quantos votaram após as 17h.

Biometria. O indicador mede eleitores com biometria que não foram habilitados por ela, isto é, liberados de outra forma, por exemplo quando a digital não é lida. Ele não inclui eleitores sem biometria cadastrada e não indica voto irregular.

  • No 1º turno, foram 8.342.249 eleitores nessa situação (6,66%).
  • No 2º turno, foram 8.632.488 (6,73%).
  • No Brasil, 99 seções ficaram fora do padrão.

Associação entre liberação sem biometria e voto (por 10 pontos percentuais de taxa)

FinalistaComponenteEfeito (pp)IC 95%p-valueCorrelação simples
FLAVIO BOLSONARO (PL)nível no 2º turno−0,59−0,77 a −0,411,7 × 10^-10−0,068
FLAVIO BOLSONARO (PL)mudança do 1º para o 2º turno−0,01−0,04 a 0,020,351−0,033
LULA (PT)nível no 2º turno0,590,41 a 0,771,7 × 10^-100,068
LULA (PT)mudança do 1º para o 2º turno−0,06−0,09 a −0,033,3 × 10^-4−0,013

No nível do 2º turno, há uma associação estatisticamente clara, mas fraca, como mostram as correlações simples. Na mudança entre turnos, a associação é praticamente nula para o PL e pequena para o PT. Essa associação é observacional. O perfil do eleitorado, como a idade, afeta tanto a leitura da digital quanto o voto.

Seção de MS com alarme de biometria: Angélica/MS, zona 27, seção 108

ChecagemResultadoDetalhe
Boletim de urna × arquivo publicadoconfereOs votos do boletim são iguais aos do arquivo publicado.
Local de votaçãoconfereMesmo local nos dois turnos: EEPSG FILINTO MULLER.
Eleitores aptosconfere268 aptos nos dois turnos.
Ata da seção e contexto localmanualDepende de documento fora do sistema.

Seções extremas (Brasil). O sistema conta as seções que, no 2º turno, ficaram na faixa mais alta de fatia para um finalista. Também verifica se essas seções já eram muito fortes para o mesmo finalista no 1º turno.

  • PT: 6.899 seções ficaram na faixa mais alta, das quais 106 com votação total (100%) para o finalista. Dessas seções, 6.875 já estavam em patamar muito alto no 1º turno, e apenas 1 tinha fatia baixa no 1º turno.
  • PL: 384 seções ficaram na faixa mais alta, das quais 4 com votação total (100%) para o finalista. Dessas seções, 381 já estavam em patamar muito alto no 1º turno, e nenhuma tinha fatia baixa no 1º turno.

Na quase totalidade dos casos, as seções extremas do 2º turno já eram fortes para o mesmo finalista no 1º turno. No Brasil, 17.931 seções foram agregadas no 2º turno. Elas são tratadas à parte.

De onde vieram os votos do 2º turno

Este módulo é descritivo e não gera alarme. Em MS, as 7.106 seções do escopo são comparáveis entre os turnos.

Totais em MS nos dois turnos

Item1º turno2º turnoDiferença
Aptos2.024.4302.024.4377
Comparecimento1.541.2201.594.46053.240
Abstenções483.210429.977queda de 53.233
Brancos21.27014.958queda de 6.312
Nulos29.59622.637queda de 6.959

O ganho conjunto dos dois finalistas foi de 166.659 votos.

Balanço das fontes do ganho dos finalistas

FonteVotos cedidos aos finalistas
votos dos demais candidatos no 1º turno100.148
queda das abstenções53.233
queda dos votos brancos6.312
queda dos votos nulos6.959
variação do eleitorado apto7
resíduo não explicado0

O balanço é exato e não tem resíduo. Nenhuma fonte cresceu: abstenções, brancos e nulos caíram no 2º turno. O balanço vale para o conjunto dos finalistas.

A divisão de cada fonte entre os finalistas, apresentada a seguir, é uma estimativa estatística por regressão ecológica, não uma contagem. O voto é secreto e os dados são agregados por seção. Todas as estimativas foram consideradas plausíveis.

FLAVIO BOLSONARO (PL): passou de 873.351 votos no 1º turno para 927.892 no 2º turno, com ganho de 54.541. O R² do modelo foi 0,436.

Transferências estimadas para FLAVIO BOLSONARO (PL)

Fonte% para o candidatoIC 95%Votos estimados
demais candidatos do 1º turno38,237,0 a 39,338.246
variação do comparecimento33,031,0 a 35,117.590
queda dos brancos16,410,6 a 22,21.035
queda dos nulos7,62,6 a 12,6529

LULA (PT): passou de 516.855 votos no 1º turno para 628.973 no 2º turno, com ganho de 112.118. O R² do modelo foi 0,6.

Transferências estimadas para LULA (PT)

Fonte% para o candidatoIC 95%Votos estimados
demais candidatos do 1º turno61,860,7 a 63,061.902
variação do comparecimento67,064,9 a 69,035.650
queda dos brancos83,677,8 a 89,45.277
queda dos nulos92,487,4 a 97,46.430

A estimativa supõe que cada fonte se dividiu na mesma proporção em todas as seções do escopo. As fontes são líquidas: por exemplo, um eleitor que votou em branco no 1º turno e se absteve no 2º não aparece como movimento.

Explicações alternativas

  • Porto Murtinho, seção 23. O aumento da abstenção pode refletir mudança de local, transferência ou revisão de eleitorado entre turnos. Também pode refletir eventos locais no dia da eleição, como clima, transporte ou acesso, ou o funcionamento de uma seção especial com eleitorado que muda entre turnos. O local e o número de aptos conferem nos dois turnos, o que torna a primeira hipótese menos provável. O contexto local ainda precisa ser verificado.
  • Angélica, seção 108. A liberação sem biometria inclui casos em que a digital não é lida. Isso depende do perfil do eleitorado e das condições do equipamento e não indica voto irregular.
  • Bataguassu, zona 6. O excesso de empates foi raro isoladamente, mas não sobreviveu ao controle de falsas descobertas. Ele é compatível com o acaso diante do grande número de testes.
  • Encerramento tardio. As diferenças de voto nas comparações simples se explicam pela geografia e desaparecem na comparação dentro da mesma zona.
  • Associação entre biometria e voto. A associação é observacional e pode refletir características do eleitorado, como a idade.
  • Taxa de falsos alarmes. Pelo controle de falsas descobertas, até 1 em cada 20 alarmes pode ser fruto do acaso.

Próximos passos de verificação

As checagens automáticas já confirmaram três pontos em ambos os alarmes: o boletim de urna confere com o arquivo publicado, o local de votação é o mesmo nos dois turnos e o número de aptos é o mesmo. A integridade dos arquivos também já foi verificada. Não houve checagens classificadas como "atencao". Restam apenas as checagens manuais:

  1. Porto Murtinho/MS, zona 20, seção 23: conferir a ata da mesa receptora e os eventos locais no dia (acesso, clima, transporte, ocorrências), para explicar o aumento da abstenção no 2º turno.
  2. Angélica/MS, zona 27, seção 108: conferir a ata da mesa receptora e os eventos locais no dia (acesso, clima, transporte, ocorrências), para explicar a liberação sem biometria fora do padrão.

Considerações finais

No escopo de MS, a auditoria não encontrou alarmes nos testes por zona, de último dígito nem de repetições exatas. Nos testes por zona, os pares de empates e de resultado idêntico ficaram muito próximos do esperado. No plano nacional, nenhum número de votos aparece em excesso, e os pares de zonas com o mesmo total ficaram dentro do esperado.

Houve uma anomalia estatística de variação entre turnos, em Porto Murtinho, e uma seção com alarme de biometria, em Angélica. Nos dois casos, o boletim de urna, o local de votação e o número de aptos conferem. Falta apenas a verificação documental da ata e do contexto local.

A análise nacional de horário não mostra diferença detectável na fatia dos finalistas nas seções que encerraram tarde, quando comparadas a seções da mesma zona. Ela mostra apenas uma pequena diferença de comparecimento.

O comparativo entre turnos é descritivo. Suas divisões entre finalistas são estimativas, não contagens.

Anomalias estatísticas indicam onde olhar, não o que concluir. Elas não constituem, por si só, evidência de fraude ou de irregularidade.