Laudo estatístico · UF RN
Laudo técnico de auditoria estatística da votação por seção para Presidente: UF RN, eleições de 2026
Resumo
Este laudo traduz, para leitores não especialistas, os resultados de uma auditoria estatística dos dados de votação por seção eleitoral para Presidente publicados pelo TSE (BRASIL, 2026). O escopo é a UF RN, com 8.115 seções, e alguns módulos cobrem o Brasil inteiro. Nenhum módulo aplicado ao escopo gerou alarme: foram 0 anomalias em 3.636 testes de último dígito, 0 em 547 testes de repetições exatas e 0 em 256 testes de variação entre turnos. Entre as 60 zonas do escopo, 0 tiveram alarme. Em nível nacional, os 1.381 testes de repetição exata de votos também resultaram em 0 alarmes. A análise de horário de encerramento não detectou diferença na fatia de votos dos finalistas entre as seções que encerraram tarde e as demais da mesma zona, mas detectou uma pequena diferença no comparecimento. O comparativo entre turnos, que é descritivo, mostra que o ganho conjunto dos finalistas, de 192.549 votos, veio principalmente dos votos dos demais candidatos do 1º turno e da queda das abstenções. Anomalias estatísticas indicam onde olhar, não o que concluir, e não constituem prova de irregularidade.
Palavras-chave: auditoria estatística. eleições. seção eleitoral. taxa de falsas descobertas. regressão ecológica.
Introdução
O objetivo deste laudo é verificar se os resultados por seção eleitoral apresentam padrões estatísticos raros que mereçam verificação documental. A ausência desses padrões também é registrada como resultado.
O escopo principal é a UF RN, com 8.115 seções analisadas. Três módulos têm abrangência nacional, qualquer que seja o escopo:
- as repetições nacionais de votos;
- a contagem de zonas com totais iguais;
- a análise de horário de encerramento e biometria.
A fonte são os arquivos publicados pelo TSE de votação por seção, de detalhe da votação por seção e de candidatos (BRASIL, 2026). O sistema já verificou a integridade desses arquivos: os arquivos de votação têm o SHA-256 registrado na carga, e os boletins de urna foram conferidos contra o SHA-512 publicado pelo TSE no download.
Metodologia
Análise por zona. A zona eleitoral é a unidade de partida. Em cada zona e turno, o sistema conta dois tipos de pares de seções:
- empates: pares que deram exatamente o mesmo número de votos a um finalista;
- resultado idêntico: pares que deram o mesmo resultado aos dois finalistas ao mesmo tempo.
O esperado vem dos pares a 1 e 2 votos de distância, com correção de curvatura. A variância é ajustada aos próprios dados, pelo chamado nulo empírico (EFRON, 2004). A taxa de falsas descobertas é controlada em 5% (BENJAMINI; HOCHBERG, 1995). A zona também é testada pela concentração de seções com alarme de variação ou de biometria, contra o esperado pelo seu tamanho.
Último dígito. O teste examina o último dígito dos votos de cada candidato por seção, para valores a partir de 10. O resultado é comparado a uma expectativa suave do próprio município ou UF (BEBER; SCACCO, 2012). Os testes de 1º e 2º dígito contra a Lei de Benford (NIGRINI, 2012) são apenas informativos. Como os votos por seção variam em faixa estreita, eles reprovam Benford sem que isso indique problema.
Repetições exatas. O teste conta quantas seções da zona tiveram exatamente o mesmo número de votos para um candidato. A contagem é comparada a dois modelos locais: a distribuição de votos da zona e a contagem nos valores vizinhos.
Repetições nacionais. Para cada candidato e turno, o teste conta quantas seções do Brasil deram exatamente cada número de votos. A contagem é comparada ao esperado pelos valores vizinhos, com controle de falsas descobertas em 5%.
Variações entre turnos. O teste mede a variação entre o 1º e o 2º turno na mesma seção. A variação é comparada às demais seções da zona, do município ou da UF, por mediana e desvio absoluto mediano.
Comparativo entre turnos. Este módulo é descritivo e não gera alarmes. Ele faz um balanço exato de onde vieram os votos acrescidos aos finalistas. A divisão de cada fonte entre os finalistas é estimada por regressão ecológica entre seções (GOODMAN, 1953), com intervalo de confiança de 95% e erros-padrão robustos (MACKINNON; WHITE, 1985).
Resultados
Panorama por zona
A análise começa pela zona porque somar a zona inteira revela padrões que, valor a valor, se perdem entre milhares de testes. Em cada zona e turno, o sistema compara os empates de cada finalista e os resultados idênticos com o que se esperaria pelos pares de seções com valores muito próximos.
Testes por zona na UF RN
| Critério | Zonas testadas | Pares observados | Pares esperados | Alarmes |
|---|---|---|---|---|
| empates de LULA | 120 | 16.497 | 16.529,3 | 0 |
| empates de FLAVIO BOLSONARO | 120 | 19.683 | 19.640,7 | 0 |
| resultado idêntico dos dois finalistas | 120 | 287 | 284,9 | 0 |
Nos três critérios, os pares observados ficaram muito próximos dos esperados, e nenhuma zona deu alarme. Das 60 zonas do escopo, 0 tiveram alarme.
As zonas prioritárias estão listadas abaixo na ordem de prioridade. Nenhuma tem alarme ou achados. Nenhuma tem alarmes de repetição por valor nem seções com alarme de variação ou de biometria. Em todas, o número de seções com alarme esperado pelo tamanho era muito baixo, e não há concentração de alarmes.
Zonas prioritárias
| Prioridade | Local | Seções | Com alarme | Seções com alarme | Esperadas pelo tamanho |
|---|---|---|---|---|---|
| 71 | São Gonçalo do Amarante/RN, zona 51 | 239 | não | 0 | 0,1 |
| 179 | Natal/RN, zona 69 | 302 | não | 0 | 0,13 |
| 226 | Nova Cruz/RN, zona 12 (e mais 2 municípios) | 163 | não | 0 | 0,07 |
| 227 | Jucurutu/RN, zona 27 (e mais 1 município) | 83 | não | 0 | 0,03 |
| 248 | Poço Branco/RN, zona 62 (e mais 2 municípios) | 81 | não | 0 | 0,03 |
| 300 | Martins/RN, zona 38 (e mais 2 municípios) | 63 | não | 0 | 0,03 |
| 304 | Assú/RN, zona 29 | 133 | não | 0 | 0,06 |
| 373 | São José de Mipibu/RN, zona 7 (e mais 1 município) | 145 | não | 0 | 0,06 |
| 395 | Monte Alegre/RN, zona 44 (e mais 3 municípios) | 140 | não | 0 | 0,06 |
| 517 | Natal/RN, zona 2 | 335 | não | 0 | 0,14 |
Zona mais próxima do limiar (sem alarme). A zona que mais se aproximou do limiar foi São Miguel/RN, zona 43 (e mais 3 municípios). Ela não constitui achado.
- No 2º turno, o critério "empates de LULA" teve 63 pares observados contra 38,3 esperados.
- O p-value isolado foi 0,001, uma raridade de cerca de 1 em 746.
- Após a correção pelo grande número de testes, o q-value ficou em 0,3369. Esse valor está bem acima do limite de alarme, e por isso não houve alarme.
- Os valores mais repetidos foram 160 votos em 5 seções, 210 votos em 4 seções, 203 votos em 4 seções, 181 votos em 4 seções e 164 votos em 4 seções.
Totais iguais entre zonas (Brasil). Este teste vale para o país inteiro, com 2.641 zonas, e conta os pares de zonas com exatamente o mesmo total de votos para um finalista. Nos quatro casos, o número observado ficou dentro do esperado.
Pares de zonas com o mesmo total no Brasil
| Turno | Candidato | Pares observados | Pares esperados | p-value |
|---|---|---|---|---|
| 1 | LULA | 84 | 92,8 | 0,831 |
| 1 | FLAVIO BOLSONARO | 105 | 92,5 | 0,108 |
| 2 | LULA | 81 | 77,5 | 0,360 |
| 2 | FLAVIO BOLSONARO | 92 | 87,8 | 0,339 |
Último dígito
Foram gravados 3.636 testes de último dígito na UF RN, com 0 anomalias. Nenhuma combinação de seção e candidato apresentou distribuição de último dígito fora do padrão do seu município ou UF.
Repetições exatas de votos
Foram gravados 547 testes de repetição exata dentro das zonas, com 0 anomalias. Nenhum número de votos se repetiu em excesso em relação ao padrão local da zona.
Mesmo número de votos em todo o Brasil
Este módulo vale para o Brasil inteiro e cobre todas as seções instaladas no 1º e no 2º turnos. Foram testados 1.381 valores, com 0 alarmes. Nenhum número exato de votos aparece em excesso no país em relação aos valores vizinhos.
Variações entre o 1º e o 2º turno
Foram gravados 256 testes de variação entre turnos, com 0 anomalias. Nenhuma seção da UF RN teve variação entre os turnos fora do padrão das demais seções da sua zona, município ou UF. O sistema também não identificou seções com provável agregação no escopo (0).
Horário de encerramento e biometria
Este módulo vale para o Brasil. As seções do exterior ficaram fora da análise de horário.
Contexto. Por decisão do STF em 25/10/2026, as seções ainda abertas no 2º turno puderam funcionar até as 19h de Brasília. Urnas já encerradas não reabriram. O Boletim de Urna registra a abertura e o encerramento de cada urna, não a hora de cada voto.
Foi considerada tardia a seção que encerrou depois das 17h15 (horário de Brasília) no 2º turno. Houve 8.844 seções tardias no 2º turno.
Faixas de encerramento por turno (Brasil)
| Turno | Faixa de encerramento | Seções | Comparecimento | PL (%) | PT (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | até 17h00 | 42.204 | 9.776.959 | 54,17 | 37,33 |
| 1 | 17h01 a 17h15 | 331.152 | 79.938.808 | 49,71 | 41,92 |
| 1 | 17h16 a 17h59 | 81.603 | 22.689.794 | 41,57 | 51,58 |
| 1 | 18h00 a 18h59 | 34.587 | 10.063.841 | 35,66 | 58,64 |
| 1 | 19h00 ou depois | 8.349 | 2.464.108 | 28,3 | 67,38 |
| 2 | até 17h00 | 125.624 | 31.599.960 | 50,99 | 49,01 |
| 2 | 17h01 a 17h15 | 363.428 | 93.718.230 | 47,39 | 52,61 |
| 2 | 17h16 a 17h59 | 1.759 | 466.252 | 41,72 | 58,28 |
| 2 | 18h00 a 18h59 | 734 | 208.930 | 45,41 | 54,59 |
| 2 | 19h00 ou depois | 6.352 | 1.861.259 | 44,82 | 55,18 |
No 1º turno não houve prorrogação, e ainda assim muitas seções encerraram tarde por causa de filas. A relação entre horário e preferência de voto já existia no 1º turno e reflete sobretudo a geografia das seções.
Efeitos estimados dentro da mesma zona. A comparação simples entre seções tardias e o resto do país mistura geografia com efeito. A estimativa a considerar é a comparação dentro da mesma zona. Por exemplo, para a fatia do PL no 1º turno, a comparação simples é -3,74 pontos, enquanto a comparação na zona é -0,06.
Comparação na mesma zona: seções tardias contra demais
| Indicador | Componente | Na zona (pp) | IC 95% (pp) | p-value | Diferença detectável |
|---|---|---|---|---|---|
| fatia de FLAVIO BOLSONARO (PL) nos válidos | já no 1º turno | -0,06 | -0,99 a 0,88 | 0,908 | não |
| fatia de FLAVIO BOLSONARO (PL) nos válidos | mudança do 1º para o 2º turno | 0,06 | -0,09 a 0,21 | 0,423 | não |
| fatia de LULA (PT) nos válidos | já no 1º turno | 0,07 | -0,83 a 0,96 | 0,879 | não |
| fatia de LULA (PT) nos válidos | mudança do 1º para o 2º turno | -0,0 | -0,14 a 0,14 | 0,989 | não |
| comparecimento (% dos aptos) | já no 1º turno | -0,34 | -0,67 a -0,01 | 0,044 | sim |
| comparecimento (% dos aptos) | mudança do 1º para o 2º turno | 0,22 | 0,11 a 0,33 | 5,7 × 10^-5 | sim |
Para a fatia dos finalistas, a diferença não é detectável em nenhum dos quatro casos. A fatia de FLAVIO BOLSONARO e a de LULA não diferem entre as seções tardias e as demais da mesma zona, nem no 1º turno nem na mudança entre turnos.
Para o comparecimento, a diferença é detectável nos dois componentes, mas é pequena:
- No 1º turno, as seções tardias já tinham comparecimento um pouco menor.
- Do 1º para o 2º turno, o comparecimento nessas seções subiu um pouco mais que nas demais da mesma zona.
Esse padrão é compatível com a prorrogação, que permitiu votar a eleitores ainda na fila. O Boletim de Urna, porém, não informa quantos votaram após as 17h.
Biometria. No 1º turno, 8.342.249 eleitores foram liberados sem biometria, o equivalente a 6,66%. No 2º turno, foram 8.632.488 eleitores, ou 6,73%.
A definição adotada é a de eleitores com biometria que não foram habilitados por ela, ou seja, liberados de outra forma, por exemplo quando a digital não é lida. A contagem não inclui eleitores sem biometria cadastrada e não indica voto irregular.
Ficaram fora do padrão 99 seções. Há ainda 17.931 seções agregadas no 2º turno.
Associação entre taxa de liberação sem biometria e fatia de votos (observacional)
| Finalista | Componente | pp de fatia por 10 pp de taxa | IC 95% | p-value | Correlação simples |
|---|---|---|---|---|---|
| FLAVIO BOLSONARO (PL) | nível no 2º turno | -0,59 | -0,77 a -0,41 | 1,7 × 10^-10 | -0,068 |
| FLAVIO BOLSONARO (PL) | mudança do 1º para o 2º turno | -0,01 | -0,04 a 0,02 | 0,351 | -0,033 |
| LULA (PT) | nível no 2º turno | 0,59 | 0,41 a 0,77 | 1,7 × 10^-10 | 0,068 |
| LULA (PT) | mudança do 1º para o 2º turno | -0,06 | -0,09 a -0,03 | 3,3 × 10^-4 | -0,013 |
No nível do 2º turno, as seções com mais liberações sem biometria tendem a ter uma fatia um pouco maior de LULA e menor de FLAVIO BOLSONARO. As correlações, porém, são muito fracas.
Na mudança entre turnos, a associação para FLAVIO BOLSONARO não se distingue de zero. Para LULA, a associação é pequena e de sinal negativo.
A associação é observacional. O perfil do eleitorado, como a idade, afeta tanto a leitura da digital quanto a preferência de voto.
Seções extremas (Brasil)
| Finalista | Seções com 90% ou mais | Seções com 100% | Já eram muito fortes no 1º turno | Tinham menos de 60% no 1º turno |
|---|---|---|---|---|
| PT | 6.899 | 106 | 6.875 | 1 |
| PL | 384 | 4 | 381 | 0 |
Quase todas as seções extremas do 2º turno já tinham fatia muito alta para o mesmo partido no 1º turno. Isso vale para 6.875 seções do PT e 381 do PL.
De onde vieram os votos do 2º turno
Esta parte é descritiva e não gera alarme. A análise usa as 8.115 seções da UF RN, todas comparáveis entre os dois turnos.
Totais nos dois turnos
| Item | 1º turno | 2º turno | Diferença |
|---|---|---|---|
| Aptos | 2.659.825 | 2.659.867 | 42 |
| Comparecimento | 2.171.013 | 2.232.823 | 61.810 |
| Abstenções | 488.812 | 427.044 | queda de 61.768 |
| Brancos | 33.172 | 19.939 | queda de 13.233 |
| Nulos | 65.880 | 61.879 | queda de 4.001 |
O ganho conjunto dos finalistas foi de 192.549 votos.
Balanço das fontes do ganho conjunto dos finalistas
| Fonte | Votos cedidos aos finalistas |
|---|---|
| votos dos demais candidatos no 1º turno | 113.505 |
| queda das abstenções | 61.768 |
| queda dos votos brancos | 13.233 |
| queda dos votos nulos | 4.001 |
| variação do eleitorado apto | 42 |
| resíduo | 0 |
Todas as fontes cederam votos aos finalistas, e nenhuma cresceu entre os turnos. O balanço é exato, com resíduo 0, mas vale para o conjunto dos dois finalistas.
Divisão entre os finalistas (estimativa estatística). A divisão abaixo foi estimada por regressão ecológica entre seções. Ela não é uma contagem: o voto é secreto e os dados são agregados por seção. As fontes também são líquidas. Por exemplo, um eleitor que votou em branco no 1º turno e se absteve no 2º não aparece como movimento.
FLAVIO BOLSONARO (PL) passou de 720.493 para 737.409 votos, um ganho de 16.916. O R² do modelo foi 0,28.
Transferências estimadas para FLAVIO BOLSONARO
| Fonte | % para o candidato | IC 95% | Votos estimados |
|---|---|---|---|
| demais candidatos do 1º turno | 8,8 | 7,6 a 10,0 | 10.024 |
| variação do comparecimento | 26,5 | 25,0 a 27,9 | 16.358 |
| queda dos votos brancos | inconclusiva (livre: -13,0) | -18,1 a -7,9 | limitada: 0 |
| queda dos votos nulos | 11,7 | 8,2 a 15,3 | 469 |
LULA (PT) passou de 1.237.963 para 1.413.596 votos, um ganho de 175.633. O R² do modelo foi 0,698.
Transferências estimadas para LULA
| Fonte | % para o candidato | IC 95% | Votos estimados |
|---|---|---|---|
| demais candidatos do 1º turno | 91,2 | 90,0 a 92,4 | 103.459 |
| variação do comparecimento | 73,5 | 72,1 a 75,0 | 45.473 |
| queda dos votos brancos | inconclusiva (livre: 113,0) | 107,9 a 118,1 | limitada: 13.233 |
| queda dos votos nulos | 88,3 | 84,7 a 91,8 | 3.529 |
Na fonte "queda dos votos brancos", a estimativa livre ficou fora da faixa de 0–100% para os dois finalistas: -13,0% para FLAVIO BOLSONARO e 113,0% para LULA. Por isso, a divisão livre dessa fonte é inconclusiva no escopo.
A estimativa limitada a 0–100% atribui 0,0% (0 votos) a FLAVIO BOLSONARO e 100,0% (13.233 votos) a LULA. Ela herda a mesma hipótese, de que a fonte se dividiu na mesma proporção em todas as seções, e deve ser lida com a mesma ressalva. O balanço exato continua valendo.
Explicações alternativas
- Zona 43 (São Miguel/RN): o excesso de empates de LULA no 2º turno tem p-value isolado de 0,001. Com muitas zonas e critérios testados, porém, valores assim aparecem por acaso. O q-value de 0,3369 mostra que o padrão não resiste à correção por múltiplos testes. Distribuições de votos concentradas em faixas estreitas, comuns em zonas pequenas e homogêneas, também aumentam os empates.
- Encerramento tardio: as seções tardias se concentram em regiões com filas e perfil de voto próprio, o que explica as diferenças nas comparações simples. Dentro da mesma zona, não há diferença detectável na fatia dos finalistas. A pequena alta relativa do comparecimento é compatível com a prorrogação decidida pelo STF.
- Biometria: a associação com o voto é observacional. Fatores como a idade do eleitorado influenciam tanto a leitura da digital quanto a preferência.
- Seções extremas: quase todas já eram muito fortes para o mesmo partido no 1º turno, o que indica continuidade local.
- Brancos no comparativo entre turnos: taxas fora de 0–100% indicam que a hipótese de divisão uniforme não se sustenta para essa fonte. Trata-se de uma limitação do método, não de um padrão anômalo dos dados.
Próximos passos de verificação
Não houve alarmes no escopo nem nas repetições nacionais, e a lista de verificações automáticas está vazia. Por isso, não há checagens pendentes classificadas como "atencao" ou "manual".
A integridade dos arquivos já foi verificada, com SHA-256 na carga e SHA-512 conferido contra o valor publicado pelo TSE.
A zona 43 de São Miguel/RN foi citada apenas como a mais próxima do limiar e não constitui alarme. Se futuras execuções gerarem alarmes, cada um deverá ser verificado no boletim de urna, na ata da seção e no contexto local antes de qualquer conclusão.
Considerações finais
Na UF RN, com 8.115 seções, nenhum módulo identificou anomalia estatística. Isso vale para o último dígito, as repetições exatas, as variações entre turnos e a análise por zona nas 60 zonas. Nas repetições nacionais também não houve alarme, e os totais iguais entre zonas ficaram dentro do esperado.
No Brasil, encerrar tarde não se associou a diferença detectável na fatia dos finalistas dentro da mesma zona. Houve apenas um pequeno efeito no comparecimento, compatível com a prorrogação.
O comparativo entre turnos mostra, de forma descritiva, que o ganho conjunto dos finalistas veio sobretudo dos votos dos demais candidatos do 1º turno e da queda das abstenções. A divisão da queda dos brancos entre os finalistas é inconclusiva.
Ficam as seguintes ressalvas:
- Anomalias estatísticas indicam onde olhar, não o que concluir. A ausência de alarmes também é um resultado.
- O controle de falsas descobertas em 5% admite que, em média, até 1 em cada 20 alarmes seja fruto do acaso.
- Seções agregadas ou não instaladas são tratadas à parte e não entram nos deltas entre turnos.