Laudo estatístico · UF TO
Laudo técnico de auditoria estatística dos votos para Presidente por seção eleitoral no Tocantins (2026)
Resumo
Este laudo apresenta os resultados de uma auditoria estatística dos dados de votação por seção eleitoral para o cargo de Presidente, publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral (BRASIL, 2026). O escopo é a UF TO, com 4.384 seções e 33 zonas eleitorais. Alguns módulos têm abrangência nacional: as repetições exatas de votos, os totais iguais entre zonas e a análise de horário de encerramento e biometria. Nenhum módulo aplicado ao Tocantins gerou alarme. Nenhuma zona teve alarme. Não houve anomalias de último dígito, de repetição de votos nem de variação entre turnos. No Brasil, nenhum número exato de votos apareceu em excesso. Dentro da mesma zona, a fatia dos finalistas não mostrou diferença detectável entre seções de encerramento tardio e as demais. No comparecimento, as diferenças foram pequenas. O comparativo entre turnos indica que o conjunto dos finalistas ganhou 37.548 votos no Tocantins. A maior fonte desse ganho foram os votos dos demais candidatos do 1º turno. Anomalia estatística não é prova de irregularidade: indica apenas onde olhar.
Palavras-chave: auditoria estatística. eleições presidenciais. seção eleitoral. Tocantins. controle de falsas descobertas.
Introdução
O objetivo deste laudo é verificar se os votos por seção no Tocantins seguem padrões estatísticos esperados. Quando houver padrões raros, o laudo os aponta para verificação.
O escopo é a UF TO, com 4.384 seções eleitorais distribuídas em 33 zonas. As 4.384 seções são comparáveis entre o 1º e o 2º turno. Nenhuma seção foi classificada como provável agregação.
Os dados vêm de três arquivos do TSE: votação por seção, detalhe da votação e candidatos (BRASIL, 2026). A execução tem o identificador tse-20261029184322 e usou a versão 1.7.0 do software. A integridade dos arquivos já foi verificada. Os arquivos de votação têm o SHA-256 registrado na carga. Os boletins de urna foram conferidos contra o SHA-512 publicado pelo TSE no download.
Três módulos têm abrangência nacional, e isso é indicado nas seções correspondentes:
- as repetições exatas de votos no Brasil;
- os totais iguais entre zonas;
- a análise de horário de encerramento e biometria.
Metodologia
Análise por zona. A zona eleitoral é a primeira unidade de análise. Em cada zona e turno, o sistema faz duas contagens:
- os pares de seções que deram exatamente o mesmo número de votos a um finalista (empates);
- os pares que deram o mesmo resultado aos dois finalistas ao mesmo tempo (resultado idêntico).
O esperado vem dos pares a 1 e 2 votos de distância na própria zona, com correção de curvatura. A variância é ajustada aos próprios dados pelo método do nulo empírico (EFRON, 2004). A taxa de falsas descobertas é controlada em 5% (BENJAMINI; HOCHBERG, 1995). O sistema também testa se a zona concentra mais seções com alarme de variação ou de biometria do que o esperado pelo seu tamanho.
Último dígito. O módulo examina o último dígito dos votos de cada candidato por seção, para valores de 10 ou mais. O resultado é comparado a uma expectativa suave do próprio município ou UF (BEBER; SCACCO, 2012). Os testes do 1º e do 2º dígito contra a Lei de Benford (NIGRINI, 2012) são apenas informativos. Votos por seção variam em faixa estreita e reprovam Benford sem que isso indique problema.
Repetições exatas na zona. O módulo conta as seções da zona com exatamente o mesmo número de votos para um candidato. Essa contagem é comparada a dois modelos locais: a distribuição de votos da zona (beta-binomial) e a contagem nos valores vizinhos.
Repetições nacionais. Para cada candidato e turno, o módulo conta quantas seções do Brasil deram exatamente cada número de votos. O esperado vem dos valores vizinhos, por ajuste local em escala logarítmica. O teste usa a cauda binomial negativa, com controle de falsas descobertas em 5% (BENJAMINI; HOCHBERG, 1995).
Variações entre turnos. O módulo mede a variação entre o 1º e o 2º turno na mesma seção. Essa variação é comparada às demais seções da zona, ou do município ou da UF, pela mediana e pelo desvio absoluto mediano. Seções agregadas ou não instaladas ficam fora dessa análise.
Horário de encerramento e biometria. As seções que encerraram depois das 17h15 no 2º turno são comparadas às demais seções da mesma zona. O módulo também estima a associação entre a taxa de liberação sem biometria e o voto. Os intervalos usam erros-padrão robustos (MACKINNON; WHITE, 1985).
Comparativo entre turnos. É um módulo descritivo e não gera alarmes. Ele faz o balanço exato de onde vieram os votos acrescidos aos finalistas. A divisão de cada fonte entre os finalistas é estimada por regressão ecológica entre seções (GOODMAN, 1953), com intervalo de confiança de 95%.
Com o controle de falsas descobertas em 5%, em média até 1 em cada 20 alarmes pode ser fruto do acaso.
Resultados
Panorama por zona
A análise começa pela zona eleitoral. Em cada zona, o sistema conta pares de seções com o mesmo número de votos para um finalista. Conta também pares com resultado idêntico para os dois finalistas. Essas contagens são comparadas ao que se espera pelos pares com valores muito próximos. Somar a zona inteira permite encontrar padrões que se perderiam entre milhares de testes feitos valor a valor.
O Tocantins tem 33 zonas no escopo. Nenhuma teve alarme.
Testes por zona no Tocantins
| Critério | Zonas testadas | Pares observados | Pares esperados | Alarmes |
|---|---|---|---|---|
| empates de LULA | 66 | 14.074 | 14.137,7 | 0 |
| empates de FLAVIO BOLSONARO | 66 | 11.453 | 11.495,2 | 0 |
| resultado idêntico dos dois finalistas | 66 | 201 | 215,6 | 0 |
Nos três critérios, os pares observados ficaram próximos dos esperados, um pouco abaixo deles. Nenhuma zona deu alarme. Esse é o resultado principal do panorama.
Zonas prioritárias. O sistema listou dez zonas na ordem de prioridade. Nenhuma delas tem alarme, achado, alarme de repetição por valor ou seção com alarme de variação ou de biometria. Em todas, o número de seções com alarme esperado pelo tamanho é muito baixo, e não há concentração de alarmes.
Zonas prioritárias no Tocantins
| Prioridade | Local | Seções | Com alarme | Seções com alarme | Esperadas pelo tamanho |
|---|---|---|---|---|---|
| 435 | Miranorte/TO, zona 28 (e mais 5 municípios) | 117 | não | 0 | 0,05 |
| 497 | Axixá do Tocantins/TO, zona 11 (e mais 4 municípios) | 146 | não | 0 | 0,06 |
| 498 | Colméia/TO, zona 16 (e mais 4 municípios) | 91 | não | 0 | 0,04 |
| 599 | Paranã/TO, zona 18 (e mais 2 municípios) | 68 | não | 0 | 0,03 |
| 602 | Alvorada/TO, zona 14 (e mais 4 municípios) | 101 | não | 0 | 0,04 |
| 715 | Aparecida do Rio Negro/TO, zona 35 (e mais 5 municípios) | 85 | não | 0 | 0,04 |
| 761 | Araguaína/TO, zona 1 | 375 | não | 0 | 0,16 |
| 774 | Tocantinópolis/TO, zona 9 (e mais 5 municípios) | 126 | não | 0 | 0,05 |
| 910 | Gurupi/TO, zona 2 (e mais 3 municípios) | 255 | não | 0 | 0,11 |
| 918 | Arraias/TO, zona 22 (e mais 3 municípios) | 71 | não | 0 | 0,03 |
Zona mais próxima do limiar. A zona que mais se aproximou do limiar, sem atingi-lo, foi Axixá do Tocantins/TO, zona 11 (e mais 4 municípios). Ela não constitui achado.
No 1º turno, no critério "empates de FLAVIO BOLSONARO", essa zona teve 151 pares observados, contra 110,8 esperados. O p-value isolado foi 0,001, o que corresponde a uma raridade de cerca de 1 em 794. Porém, a análise faz muitos testes ao mesmo tempo. Depois do controle de falsas descobertas, o q-value foi 0,3369. Por isso, não houve alarme.
Os valores mais repetidos para esse candidato na zona foram:
- 77 votos em 9 seções;
- 51 votos em 7 seções;
- 107 votos em 5 seções;
- 54 votos em 5 seções;
- 103 votos em 4 seções.
Como nenhuma zona teve alarme, não há seções a detalhar nas subseções seguintes.
Totais iguais entre zonas no Brasil. Este teste vale para o país inteiro, com 2.641 zonas. Ele verifica se há mais pares de zonas com o mesmo total de votos do que o esperado.
Pares de zonas com o mesmo total no Brasil
| Turno | Candidato | Pares observados | Pares esperados | p-value |
|---|---|---|---|---|
| 1 | LULA | 84 | 92,8 | 0,831 |
| 1 | FLAVIO BOLSONARO | 105 | 92,5 | 0,108 |
| 2 | LULA | 81 | 77,5 | 0,360 |
| 2 | FLAVIO BOLSONARO | 92 | 87,8 | 0,339 |
Em todos os casos, o número de pares ficou dentro do esperado. Nenhum p-value indica excesso.
Último dígito
Foram feitos 2.698 testes de último dígito no Tocantins. Nenhum gerou anomalia. Os últimos dígitos dos votos por seção são compatíveis com o padrão esperado para cada município e para a UF.
Repetições exatas de votos
Foram feitos 271 testes de repetição exata dentro das zonas do Tocantins. Nenhum gerou anomalia. Em nenhuma zona um número de votos se repetiu em excesso para um candidato.
Mesmo número de votos em todo o Brasil
Este módulo vale para o Brasil inteiro, qualquer que seja o escopo. Ele cobre todas as seções instaladas nos dois turnos.
Foram testados 1.381 valores, com 0 alarmes. Nenhum número exato de votos aparece em excesso no país, para nenhum candidato e em nenhum turno.
Variações entre o 1º e o 2º turno
Foram feitos 125 testes de variação entre turnos no Tocantins. Nenhum gerou anomalia. Nenhuma seção teve variação entre turnos fora do padrão das seções da sua zona.
Horário de encerramento e biometria
Este módulo vale para o Brasil inteiro. As seções do exterior ficam fora da análise de horário.
Contexto. Por decisão do STF em 25/10/2026, as seções ainda abertas no 2º turno puderam funcionar até as 19h de Brasília. Urnas já encerradas não reabriram. O Boletim de Urna registra a abertura e o encerramento de cada urna, não a hora de cada voto. O critério de seção tardia é ter encerrado depois das 17h15 (horário de Brasília) no 2º turno. Houve 8.844 seções tardias no 2º turno.
Encerramento das seções por faixa de horário (Brasil)
| Turno | Faixa de encerramento | Seções | Comparecimento | PL (%) | PT (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | até 17h00 | 42.204 | 9.776.959 | 54,17 | 37,33 |
| 1 | 17h01 a 17h15 | 331.152 | 79.938.808 | 49,71 | 41,92 |
| 1 | 17h16 a 17h59 | 81.603 | 22.689.794 | 41,57 | 51,58 |
| 1 | 18h00 a 18h59 | 34.587 | 10.063.841 | 35,66 | 58,64 |
| 1 | 19h00 ou depois | 8.349 | 2.464.108 | 28,3 | 67,38 |
| 2 | até 17h00 | 125.624 | 31.599.960 | 50,99 | 49,01 |
| 2 | 17h01 a 17h15 | 363.428 | 93.718.230 | 47,39 | 52,61 |
| 2 | 17h16 a 17h59 | 1.759 | 466.252 | 41,72 | 58,28 |
| 2 | 18h00 a 18h59 | 734 | 208.930 | 45,41 | 54,59 |
| 2 | 19h00 ou depois | 6.352 | 1.861.259 | 44,82 | 55,18 |
No 1º turno não houve prorrogação. Mesmo assim, muitas seções encerraram tarde por causa de filas. Nos dois turnos, as faixas mais tardias têm fatia maior do PT. Esse padrão já existia no 1º turno. Isso sugere que ele reflete os locais onde as filas ocorrem, e não o horário em si.
Efeitos do encerramento tardio. A comparação simples entre seções tardias e o resto do país mistura geografia com efeito. A estimativa a considerar é a comparação dentro da mesma zona.
- Fatia de FLAVIO BOLSONARO (PL) nos válidos, diferença já no 1º turno. A estimativa na zona é -0,06 pp, com intervalo de -0,99 a 0,88 e p-value 0,908. A diferença detectável é falsa. A comparação simples (-3,74 pp) reflete a geografia.
- Fatia de FLAVIO BOLSONARO (PL) nos válidos, mudança do 1º para o 2º turno. A estimativa na zona é 0,06 pp, com intervalo de -0,09 a 0,21 e p-value 0,423. A diferença detectável é falsa.
- Fatia de LULA (PT) nos válidos, diferença já no 1º turno. A estimativa na zona é 0,07 pp, com intervalo de -0,83 a 0,96 e p-value 0,879. A diferença detectável é falsa. A comparação simples (3,03 pp) reflete a geografia.
- Fatia de LULA (PT) nos válidos, mudança do 1º para o 2º turno. A estimativa na zona é 0,0 pp, com intervalo de -0,14 a 0,14 e p-value 0,989. A diferença detectável é falsa.
- Comparecimento (% dos aptos), diferença já no 1º turno. A estimativa na zona é -0,34 pp, com intervalo de -0,67 a -0,01 e p-value 0,044. A diferença detectável é verdadeira. As seções tardias já tinham comparecimento um pouco menor no 1º turno.
- Comparecimento (% dos aptos), mudança do 1º para o 2º turno. A estimativa na zona é 0,22 pp, com intervalo de 0,11 a 0,33 e p-value 5,7 × 10^-5. A diferença detectável é verdadeira. O comparecimento das seções tardias aumentou um pouco mais. Isso é compatível com a prorrogação, que permitiu votar a eleitores que estavam na fila.
Em resumo, dentro da mesma zona, o horário de encerramento não se associa a diferença detectável na fatia de nenhum dos finalistas.
Biometria. O indicador conta eleitores com biometria que não foram habilitados por ela, ou seja, que foram liberados de outra forma, por exemplo quando a digital não é lida. O indicador não inclui eleitores sem biometria cadastrada e não indica voto irregular.
- No 1º turno, foram 8.342.249 eleitores, ou 6,66%.
- No 2º turno, foram 8.632.488 eleitores, ou 6,73%.
No país, há 99 seções com taxa fora do padrão. No Tocantins, nenhuma seção teve alarme de biometria.
A associação entre a taxa de liberação sem biometria e o voto é observacional. O perfil do eleitorado, como a idade, afeta as duas coisas.
- Nível no 2º turno. Cada 10 pp a mais de taxa se associa a -0,59 pp na fatia de FLAVIO BOLSONARO (PL), com intervalo de -0,77 a -0,41. Para LULA (PT), a associação é de 0,59 pp, com intervalo de 0,41 a 0,77. O p-value é 1,7 × 10^-10 nos dois casos. As correlações simples são fracas (-0,068 e 0,068).
- Mudança do 1º para o 2º turno. Para FLAVIO BOLSONARO (PL), a estimativa é -0,01 pp, com intervalo de -0,04 a 0,02 e p-value 0,351. Não há associação detectável. Para LULA (PT), a estimativa é -0,06 pp, com intervalo de -0,09 a -0,03 e p-value 3,3 × 10^-4. É uma associação muito pequena, com correlação simples de -0,013.
Seções extremas (Brasil).
- PT. No 2º turno, 6.899 seções deram 90% ou mais ao PT, e 106 deram a totalidade dos votos. Dessas, 6.875 já tinham 80% ou mais no 1º turno. Apenas 1 tinha votação bem mais baixa para o PT no 1º turno.
- PL. No 2º turno, 384 seções deram 90% ou mais ao PL, e 4 deram a totalidade dos votos. Dessas, 381 já tinham 80% ou mais no 1º turno. Nenhuma (0) tinha votação bem mais baixa para o PL no 1º turno.
Ou seja, as seções extremas já eram fortes para o mesmo partido no 1º turno. No 2º turno, havia 17.931 seções agregadas no país, tratadas à parte.
De onde vieram os votos do 2º turno
Este comparativo é descritivo e não gera alarme. Ele cobre as 4.384 seções do Tocantins, todas comparáveis entre os turnos.
Totais nos dois turnos (Tocantins)
| Item | 1º turno | 2º turno | Diferença |
|---|---|---|---|
| Aptos | 1.182.023 | 1.182.041 | 18 |
| Comparecimento | 965.196 | 954.763 | -10.433 |
| Abstenções | 216.827 | 227.278 | 10.451 |
| Brancos | 8.344 | 8.059 | -285 |
| Nulos | 26.377 | 35.826 | 9.449 |
As abstenções e os nulos aumentaram. Os brancos tiveram queda de 285. O conjunto dos finalistas ganhou 37.548 votos.
Balanço das fontes. O balanço é exato e vale para o conjunto dos finalistas.
Fontes dos votos acrescidos aos finalistas
| Fonte | Votos cedidos ao conjunto dos finalistas |
|---|---|
| votos dos demais candidatos no 1º turno | 57.145 |
| queda das abstenções (negativo = aumentaram) | -10.451 |
| queda dos votos brancos (negativo = aumentaram) | 285 |
| queda dos votos nulos (negativo = aumentaram) | -9.449 |
| variação do eleitorado apto | 18 |
| resíduo | 0 |
A principal fonte foram os votos dos demais candidatos do 1º turno. As abstenções e os nulos cresceram e, por isso, subtraíram votos do conjunto. O resíduo foi 0.
Por finalista.
- FLAVIO BOLSONARO (PL) passou de 469.321 para 467.916 votos, uma queda de 1.405.
- LULA (PT) passou de 404.009 para 442.962 votos, um ganho de 38.953.
A divisão de cada fonte entre os finalistas é uma estimativa estatística por regressão ecológica entre seções (GOODMAN, 1953), não uma contagem. O voto é secreto e os dados são agregados por seção. O ajuste do modelo (R²) foi 0,419 para FLAVIO BOLSONARO e 0,596 para LULA. Todas as estimativas foram plausíveis, isto é, ficaram entre 0% e 100%.
Divisão estimada das fontes: FLAVIO BOLSONARO (PL)
| Fonte | Votos da fonte | % estimada | IC 95% | Votos estimados |
|---|---|---|---|---|
| votos dos demais candidatos no 1º turno | 57.121 | 19,5 | 18,3 a 20,8 | 11.158 |
| variação do comparecimento | -10.417 | 54,0 | 51,8 a 56,1 | -5.624 |
| queda dos votos brancos | 285 | 18,2 | 9,9 a 26,5 | 52 |
| queda dos votos nulos | -9.444 | 47,7 | 43,8 a 51,6 | -4.502 |
Divisão estimada das fontes: LULA (PT)
| Fonte | Votos da fonte | % estimada | IC 95% | Votos estimados |
|---|---|---|---|---|
| votos dos demais candidatos no 1º turno | 57.121 | 80,5 | 79,2 a 81,7 | 45.963 |
| variação do comparecimento | -10.417 | 46,0 | 43,9 a 48,2 | -4.793 |
| queda dos votos brancos | 285 | 81,8 | 73,5 a 90,1 | 233 |
| queda dos votos nulos | -9.444 | 52,3 | 48,4 a 56,2 | -4.942 |
Pela estimativa, a maior parte dos votos dos demais candidatos do 1º turno foi para LULA. A queda do comparecimento e o aumento dos nulos retiraram votos dos dois finalistas, em proporções próximas. As fontes são líquidas: um eleitor que votou em branco no 1º turno e se absteve no 2º não aparece como movimento.
Explicações alternativas
Não há alarmes no Tocantins. As explicações abaixo se referem aos padrões descritos.
- Zona mais próxima do limiar (zona 11). Com muitos testes simultâneos, alguns resultados isolados raros são esperados por acaso. Depois da correção para múltiplos testes, o resultado não foi significativo.
- Encerramento tardio. As seções tardias se concentram em locais com filas, que têm perfil de voto próprio. O mesmo padrão já aparecia no 1º turno, sem prorrogação. Dentro da mesma zona, não há diferença detectável na fatia dos finalistas.
- Comparecimento das seções tardias. O aumento um pouco maior no 2º turno é compatível com a prorrogação, que permitiu votar a quem estava na fila.
- Biometria. A liberação sem biometria depende, por exemplo, da idade do eleitorado e da qualidade da leitura da digital. Esses fatores também se associam ao voto. A associação é observacional e não indica voto irregular.
- Seções extremas. Quase todas já eram fortes para o mesmo partido no 1º turno, o que reflete a geografia do voto.
- Lei de Benford. Os votos por seção variam em faixa estreita. Por isso, desvios de Benford não indicam problema.
Próximos passos de verificação
O sistema não registrou alarmes no escopo, e a lista de verificações automáticas está vazia. Não há checagens pendentes de conferência manual nem marcadas como "atenção". A integridade dos arquivos já foi verificada, pelo registro do SHA-256 e pela conferência dos boletins de urna contra o SHA-512 publicado pelo TSE. Esta auditoria não gerou próximos passos específicos.
Considerações finais
No Tocantins, nenhum dos módulos aplicados gerou alarme:
- nenhuma das 33 zonas teve alarme;
- não houve anomalias nos 2.698 testes de último dígito;
- não houve anomalias nos 271 testes de repetição;
- não houve anomalias nos 125 testes de variação entre turnos.
Em âmbito nacional, também não houve alarmes:
- nenhum dos 1.381 valores testados apareceu em excesso nas repetições;
- os totais iguais entre zonas ficaram dentro do esperado;
- dentro da mesma zona, o encerramento tardio não se associou a diferença detectável na fatia dos finalistas.
O comparativo entre turnos é descritivo. Ele indica que o ganho do conjunto dos finalistas veio principalmente dos votos dos demais candidatos do 1º turno.
Ressalvas:
- Anomalias estatísticas indicam onde olhar, não o que concluir.
- A ausência de alarmes também é um resultado, mas não substitui a conferência documental quando houver motivo concreto.
- As transferências entre turnos são estimativas estatísticas, não contagens.
- As associações com biometria e horário são observacionais.