<!-- laudo 8ecf7bf2e846 | escopo: UF MT | execução: tse-20261029184322 | fonte: tse | números: conferidos -->

# Auditoria estatística dos votos para Presidente por seção eleitoral em Mato Grosso, eleição de 2026

## Resumo

Este laudo traduz, para leitores não especialistas, os resultados de uma auditoria estatística dos votos para Presidente por seção eleitoral publicados pelo TSE (BRASIL, 2026). O escopo é a UF MT, com 8.287 seções e 57 zonas eleitorais. Alguns módulos valem para o Brasil inteiro: as repetições nacionais, os totais iguais entre zonas e a análise de horário e biometria. Na análise por zona, nenhum critério de empates entre pares de seções gerou alarme, e só a zona 57 (Paranatinga) tem alarme. No nível da seção, o teste de último dígito não gerou anomalias em 2.994 testes. O teste de repetições exatas gerou 1 anomalia em 528 testes: 195 votos para Flávio Bolsonaro em 8 seções da zona 57, no 2º turno. O teste de variações entre turnos gerou 1 anomalia em 355 testes, numa seção instalada em uma cadeia pública de Nortelândia. As repetições nacionais não geraram alarmes em 1.381 testes. Dentro da mesma zona, as seções que encerraram tarde no 2º turno não mostraram diferença detectável na fatia dos candidatos. Nos dois alarmes, os boletins de urna conferem com os arquivos publicados. Anomalia estatística indica onde olhar e não constitui prova de fraude ou de irregularidade.

Palavras-chave: auditoria eleitoral. anomalia estatística. seção eleitoral. regressão ecológica. Mato Grosso.

## Introdução

Este laudo descreve, em linguagem acessível, os resultados de uma auditoria estatística automática dos votos para Presidente, por seção eleitoral, nos dois turnos da eleição de 2026. Todos os cálculos foram feitos pelo sistema de auditoria (execução tse-20261029184322). Este texto apenas os descreve.

O escopo é a UF MT, com 8.287 seções eleitorais distribuídas em 57 zonas. Os dados vêm de três arquivos publicados pelo TSE (BRASIL, 2026): votação por seção, detalhe da votação e candidatos. Nenhuma seção do escopo foi classificada como provável agregação.

Três módulos têm abrangência nacional, qualquer que seja o escopo:

- a comparação de totais entre zonas;
- as repetições nacionais de votos;
- a análise de horário de encerramento e biometria.

## Metodologia

Cada módulo compara o que foi observado com o que seria esperado num grupo de referência (a zona, o município ou a UF). Quando a diferença é rara demais para ser atribuída ao acaso, o sistema gera um alarme.

Como são feitos muitos testes, o sistema controla a taxa de falsas descobertas em 5% (BENJAMINI; HOCHBERG, 1995). Em média, até 1 em cada 20 alarmes pode ser fruto do acaso. O "q-value" citado nos resultados é a medida de significância já ajustada para esse grande número de testes.

- **Análise por zona.** A zona eleitoral é a primeira unidade de análise. Em cada zona e turno, o sistema conta dois tipos de pares de seções:
  - pares que deram exatamente o mesmo número de votos a um finalista (empates);
  - pares que deram o mesmo resultado aos dois finalistas ao mesmo tempo (resultado idêntico).

  O esperado vem dos pares a 1 e 2 votos de distância na própria zona. A variância é ajustada aos próprios dados, pelo chamado nulo empírico (EFRON, 2004). A zona também é testada pela concentração de seções com alarme, comparada com o esperado pelo seu tamanho.
- **Último dígito.** Examina o último dígito dos votos de cada candidato por seção, para valores a partir de 10, contra uma expectativa do próprio município ou UF (BEBER; SCACCO, 2012). Os testes do 1º e do 2º dígito pela Lei de Benford (NIGRINI, 2012) são apenas informativos, porque os votos por seção variam em faixa estreita.
- **Repetições exatas.** Conta quantas seções da zona deram exatamente o mesmo número de votos a um candidato. O resultado é comparado com dois modelos locais: a distribuição de votos da zona e a contagem nos valores vizinhos.
- **Repetições nacionais.** Para cada candidato e turno, verifica quantas seções do Brasil deram exatamente cada número de votos e compara com o esperado pelos valores vizinhos.
- **Variações entre turnos.** Compara a mudança de cada seção entre o 1º e o 2º turno com a mudança típica das demais seções da zona (ou do município ou da UF). Usa medidas robustas: a mediana e o desvio absoluto mediano.
- **Horário e biometria.** Compara as seções que encerraram tarde com as demais seções da mesma zona, com erros-padrão robustos (MACKINNON; WHITE, 1985).
- **Comparativo entre turnos.** É descritivo e não gera alarmes. Faz um balanço exato de onde vieram os votos acrescidos aos finalistas. Depois estima como cada fonte se dividiu entre eles, por regressão ecológica (GOODMAN, 1953).

## Resultados

### Panorama por zona

A análise começa pela zona eleitoral. Em vez de olhar cada número de votos isoladamente, ela soma todos os empates da zona. Assim encontra padrões que, valor a valor, se perderiam entre milhares de testes. O esperado vem da própria zona, a partir dos pares de seções com 1 e 2 votos de diferença.

Em MT, cada um dos três critérios foi aplicado em 114 combinações de zona e turno. Nenhum critério gerou alarme.

**Pares de seções observados e esperados por critério em MT**

| Critério | Testes de zona e turno | Pares observados | Pares esperados | Alarmes |
|---|---|---|---|---|
| Empates de Lula | 114 | 22.850 | 22.967,1 | 0 |
| Empates de Flávio Bolsonaro | 114 | 14.783 | 14.766,0 | 0 |
| Resultado idêntico dos dois finalistas | 114 | 317 | 285,4 | 0 |

Nos três critérios, o total observado ficou próximo do esperado. Das 57 zonas do escopo, 1 tem alarme.

**Zona 57, Paranatinga (prioridade 8)**

A zona abrange Paranatinga e mais 1 município e tem 76 seções. Ela tem alarme por causa de 1 alarme de repetição por valor, detalhado adiante.

No critério de zona, os empates de Flávio Bolsonaro no 2º turno somaram 43 pares, contra 19,5 esperados. A raridade é de cerca de 1 em 12 mil (p = 8,4 × 10^-5). Depois do ajuste para o grande número de testes, porém, o q-value é 0,2227. Por isso esse critério não gerou alarme nesta zona.

Os valores mais repetidos foram:

- 195 votos em 8 seções;
- 191 votos em 3 seções;
- 208, 203 e 202 votos em 2 seções cada.

A zona não tem seções com alarme de variação nem de biometria. O esperado pelo tamanho era de 0,03 seção, e não há concentração de alarmes.

**Zona mais próxima do limiar sem alarme**

É a zona 50, de Nova Bandeirantes e mais 2 municípios (prioridade 40), com 73 seções. Ela não é um achado: é apenas a zona que mais se aproximou do limiar sem atingi-lo.

No 1º turno, os empates de Lula somaram 81 pares, contra 40,1 esperados. A raridade é de cerca de 1 em 65 mil (p = 1,5 × 10^-5). O q-value, porém, é 0,0813, acima do limiar.

Os valores mais repetidos foram:

- 55 votos em 8 seções;
- 45, 38 e 35 votos em 5 seções cada;
- 60 votos em 4 seções.

**Demais zonas listadas como prioritárias, sem achados nem alarme**

| Prioridade | Local | Seções | Seções com alarme | Esperadas pelo tamanho |
|---|---|---|---|---|
| 65 | Alta Floresta/MT, zona 24 (e mais 2 municípios) | 178 | 0 | 0,07 |
| 137 | Brasnorte/MT, zona 56 | 39 | 0 | 0,02 |
| 150 | Jaciara/MT, zona 14 (e mais 2 municípios) | 108 | 0 | 0,05 |
| 169 | Nova Xavantina/MT, zona 26 (e mais 2 municípios) | 108 | 0 | 0,05 |
| 187 | Cáceres/MT, zona 6 | 209 | 0 | 0,09 |
| 205 | Lucas do Rio Verde/MT, zona 21 (e mais 2 municípios) | 197 | 0 | 0,08 |
| 231 | Canarana/MT, zona 31 (e mais 1 município) | 79 | 0 | 0,03 |
| 355 | Diamantino/MT, zona 7 (e mais 1 município) | 80 | 0 | 0,03 |

**Totais iguais entre zonas (Brasil)**

Este teste vale para o país inteiro, com 2.641 zonas. Ele verifica quantos pares de zonas tiveram exatamente o mesmo total de votos para um finalista. Em todos os casos, o número observado ficou dentro do esperado.

**Pares de zonas com o mesmo total de votos no Brasil**

| Turno | Candidato | Pares observados | Pares esperados | p-value |
|---|---|---|---|---|
| 1º | Lula | 84 | 92,8 | 0,831 |
| 1º | Flávio Bolsonaro | 105 | 92,5 | 0,108 |
| 2º | Lula | 81 | 77,5 | 0,360 |
| 2º | Flávio Bolsonaro | 92 | 87,8 | 0,339 |

### Último dígito

Foram feitos 2.994 testes de último dígito no escopo, e nenhum gerou anomalia. Os últimos dígitos dos votos por seção em MT seguiram o padrão esperado. A ausência de alertas também é um resultado.

### Repetições exatas de votos

Foram feitos 528 testes, com 1 anomalia. Ela está na zona 57, já destacada no panorama por zona.

**O achado**

No 2º turno, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu exatamente 195 votos em 8 das 76 seções da zona 57. A zona abrange Paranatinga e Gaúcha do Norte. As seções são:

- seções 3, 4, 6, 10, 15 e 22, em Paranatinga;
- seções 54 e 87, em Gaúcha do Norte.

**Quanto isso se afasta do esperado**

Os três modelos de referência davam valores bem menores do que as 8 seções observadas:

- pela distribuição de votos da própria zona, o esperado era 0,48 seção;
- pelos valores vizinhos, o esperado era 1,0;
- pelo padrão do Brasil, o esperado era 0,13.

O afastamento equivale a 10,8 desvios-padrão no modelo da zona e a 21,7 no padrão Brasil. A densidade foi de 10,5%. A raridade é de cerca de 1 em 98 mil (p = 1,0 × 10^-5), e o q-value é 0,0084, abaixo do limiar.

**O que já foi verificado**

As checagens automáticas não encontraram explicação nos dados:

- **Locais de votação: confere.** São 8 seções em 6 locais. O maior local reúne 2 delas, e as seções estão espalhadas pela zona. Isso enfraquece a hipótese de seções do mesmo local com perfil quase idêntico.
- **Boletim de urna contra o arquivo publicado: confere.** Os votos dos boletins de todas as seções batem com o arquivo publicado.
- **Ata e contexto local: manual.** Depende de documentos fora do sistema.

**Explicações benignas a considerar**

- seções com eleitorado e perfil quase idênticos;
- seções especiais (presídios, aldeias, unidades de internação) com padrão próprio;
- coincidência: com centenas de milhares de testes, algumas repetições ocorrem por acaso.

### Mesmo número de votos em todo o Brasil

Este módulo vale para o Brasil inteiro, em todas as seções instaladas e nos dois turnos, qualquer que seja o escopo do laudo. Foram testados 1.381 valores, com 0 alarmes. Nenhum número exato de votos apareceu em excesso no país.

### Variações entre o 1º e o 2º turno

Foram feitos 355 testes, com 1 anomalia.

**O achado**

Trata-se da seção 95 da zona 17, em Nortelândia/MT. Nela, o percentual dos votos válidos de Lula passou de 68,2% no 1º turno para 57,1% no 2º, uma queda de 11,0 pontos.

O grupo de referência foi a própria zona, com 75 seções, cuja variação mediana foi de alta de 4,6 pontos. Ou seja, a seção 95 andou na direção contrária à do seu grupo. Sua mudança ficou 8,1 desvios robustos abaixo da mediana. A raridade é de cerca de 1 em 1,5 milhões (p = 6,6 × 10^-7), e o q-value é 0,0137. O número de eleitores aptos não divergiu entre os turnos.

**O que já foi verificado**

As checagens indicam uma possível explicação:

- **Boletim de urna contra o arquivo publicado: confere** nos turnos em que a seção teve boletim.
- **Local de votação: confere.** Era o mesmo nos dois turnos: Cadeia Pública de Nortelândia.
- **Local de perfil próprio: explica.** Pelo nome, o local é de tipo prisional, com padrão próprio de votação e de comparecimento.
- **Eleitores aptos: confere.** Eram 29 aptos nos dois turnos. Numa seção tão pequena, poucos votos movem bastante o percentual.
- **Ata da seção e contexto local: manual.** Depende de documentos fora do sistema.

**Explicações benignas a considerar**

- mudança de local de votação, transferência ou revisão de eleitorado entre turnos;
- eventos locais no dia da eleição (clima, transporte, acesso);
- seções especiais com eleitorado que muda entre turnos.

### Horário de encerramento e biometria

Este módulo vale para o Brasil inteiro. As seções do exterior ficaram fora da análise de horário.

**Contexto**

Por decisão do STF em 25/10/2026, as seções ainda abertas no 2º turno puderam funcionar até as 19h de Brasília. Urnas já encerradas não reabriram. O Boletim de Urna registra a abertura e o encerramento de cada urna, mas não a hora de cada voto.

Considera-se tardia a seção que encerrou depois das 17h15 (horário de Brasília) no 2º turno. Foram 8.844 seções nessa situação.

**Seções e votação por faixa de encerramento no Brasil**

| Turno | Encerramento | Seções | Comparecimento | PL (%) | PT (%) |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | até 17h00 | 42.204 | 9.776.959 | 54,17 | 37,33 |
| 1º | 17h01 a 17h15 | 331.152 | 79.938.808 | 49,71 | 41,92 |
| 1º | 17h16 a 17h59 | 81.603 | 22.689.794 | 41,57 | 51,58 |
| 1º | 18h00 a 18h59 | 34.587 | 10.063.841 | 35,66 | 58,64 |
| 1º | 19h00 ou depois | 8.349 | 2.464.108 | 28,3 | 67,38 |
| 2º | até 17h00 | 125.624 | 31.599.960 | 50,99 | 49,01 |
| 2º | 17h01 a 17h15 | 363.428 | 93.718.230 | 47,39 | 52,61 |
| 2º | 17h16 a 17h59 | 1.759 | 466.252 | 41,72 | 58,28 |
| 2º | 18h00 a 18h59 | 734 | 208.930 | 45,41 | 54,59 |
| 2º | 19h00 ou depois | 6.352 | 1.861.259 | 44,82 | 55,18 |

No 1º turno não houve prorrogação, e mesmo assim houve muitos encerramentos tardios, em geral por fila. Já no 1º turno, as seções que encerravam mais tarde votavam mais em Lula. Isso sugere que a diferença entre faixas reflete sobretudo a geografia, e não o horário em si.

**Efeitos do encerramento tardio**

A comparação simples mistura regiões diferentes. A estimativa a considerar é a comparação dentro da mesma zona, mostrada abaixo.

**Diferença das seções tardias em relação às demais seções da mesma zona**

| Indicador | Componente | Na zona (pp) | IC 95% (pp) | p-value | Diferença detectável |
|---|---|---|---|---|---|
| Fatia de Flávio Bolsonaro (PL) | já no 1º turno | -0,06 | -0,99 a 0,88 | 0,908 | não |
| Fatia de Flávio Bolsonaro (PL) | mudança do 1º para o 2º | 0,06 | -0,09 a 0,21 | 0,423 | não |
| Fatia de Lula (PT) | já no 1º turno | 0,07 | -0,83 a 0,96 | 0,879 | não |
| Fatia de Lula (PT) | mudança do 1º para o 2º | -0,0 | -0,14 a 0,14 | 0,989 | não |
| Comparecimento (% dos aptos) | já no 1º turno | -0,34 | -0,67 a -0,01 | 0,044 | sim |
| Comparecimento (% dos aptos) | mudança do 1º para o 2º | 0,22 | 0,11 a 0,33 | 5,7 × 10^-5 | sim |

- **Fatia dos candidatos:** não há diferença detectável entre as seções tardias e as demais seções da mesma zona, para nenhum dos finalistas. Isso vale tanto para o 1º turno quanto para a mudança entre turnos.
- **Comparecimento:** há diferença detectável, mas pequena. Já no 1º turno, as seções tardias tinham comparecimento um pouco menor. No 2º turno, o comparecimento delas cresceu um pouco mais que o das demais.

As comparações simples, sem controlar a zona, mostrariam diferenças maiores, como -3,74 pp para o PL e 3,03 pp para o PT já no 1º turno. Essas diferenças refletem sobretudo a geografia.

**Biometria**

O indicador conta eleitores com biometria que não foram habilitados por ela. São eleitores liberados de outra forma, por exemplo quando a digital não é lida. O indicador não inclui eleitores sem biometria cadastrada e não indica voto irregular.

- 1º turno: 8.342.249 eleitores (6,66%).
- 2º turno: 8.632.488 eleitores (6,73%).
- Seções fora do padrão nesse indicador: 99.

**Associação com o voto (observacional)**

No 2º turno, seções com taxa maior de liberação sem biometria tiveram fatia um pouco maior de Lula e um pouco menor de Flávio Bolsonaro. Para cada 10 pontos percentuais a mais na taxa:

- a fatia de Lula variou 0,59 pp (IC de 0,41 a 0,77);
- a fatia de Flávio Bolsonaro variou -0,59 pp (IC de -0,77 a -0,41).

O p-value é 1,7 × 10^-10, mas a correlação simples é fraca (0,068).

Na mudança entre turnos, a associação foi pequena:

- Flávio Bolsonaro: -0,01 pp, com IC de -0,04 a 0,02 (p-value de 0,351).
- Lula: -0,06 pp, com IC de -0,09 a -0,03 (p-value de 3,3 × 10^-4).

Perfis de eleitorado, como a idade, afetam tanto a leitura da digital quanto o voto. Por isso a associação não indica causa.

**Seções extremas no 2º turno**

A grande maioria das seções com votação quase total para um candidato já era forte para ele no 1º turno.

- **Lula (PT):** 6.899 seções ficaram na faixa extrema de votação, e 106 deram a ele todos os votos válidos. Dessas, 6.875 já tinham votação alta para ele no 1º turno. Apenas 1 partiu de votação bem mais baixa.
- **Flávio Bolsonaro (PL):** 384 seções ficaram na faixa extrema, e 4 deram a ele todos os votos válidos. Dessas, 381 já tinham votação alta para ele no 1º turno. Nenhuma partiu de votação bem mais baixa.

Além disso, 17.931 seções foram agregadas no 2º turno e tratadas à parte.

### De onde vieram os votos do 2º turno

Este comparativo é descritivo e não gera alarme. As 8.287 seções do escopo são todas comparáveis entre os turnos.

**Totais do escopo no 1º e no 2º turno**

| Item | 1º turno | 2º turno | Diferença |
|---|---|---|---|
| Aptos | 2.637.801 | 2.637.879 | 78 |
| Comparecimento | 2.052.133 | 2.085.334 | 33.201 |
| Abstenções | 585.668 | 552.545 | queda de 33.123 |
| Brancos | 20.756 | 15.431 | queda de 5.325 |
| Nulos | 37.994 | 24.637 | queda de 13.357 |

No 1º turno, os demais candidatos receberam 113.121 votos. O ganho conjunto dos finalistas no 2º turno foi de 165.004 votos.

**Balanço exato das fontes do ganho dos finalistas**

| Fonte | Votos cedidos aos finalistas |
|---|---|
| Votos dos demais candidatos no 1º turno | 113.121 |
| Queda das abstenções | 33.123 |
| Queda dos votos brancos | 5.325 |
| Queda dos votos nulos | 13.357 |
| Variação do eleitorado apto | 78 |
| Resíduo não explicado | 0 |

Todas as fontes cederam votos aos finalistas, e o resíduo é zero. O balanço é exato, mas vale para o conjunto dos dois finalistas, não para cada um.

**Divisão entre os finalistas**

A divisão de cada fonte entre os finalistas é uma estimativa estatística por regressão ecológica, e não uma contagem. O voto é secreto, e os dados são agregados por seção. Todas as estimativas ficaram dentro de faixas plausíveis.

- **Flávio Bolsonaro (PL):** passou de 1.298.581 para 1.351.099 votos, um ganho de 52.518. O R² do modelo é 0,475.
- **Lula (PT):** passou de 581.681 para 694.167 votos, um ganho de 112.486. O R² do modelo é 0,58.

**Estimativa da divisão de cada fonte entre os finalistas**

| Fonte | Flávio Bolsonaro: % (IC 95%) | Flávio Bolsonaro: votos estimados | Lula: % (IC 95%) | Lula: votos estimados |
|---|---|---|---|---|
| Demais candidatos do 1º turno | 29,4 (28,5 a 30,3) | 33.266 | 70,6 (69,7 a 71,5) | 79.855 |
| Variação do comparecimento | 52,7 (50,9 a 54,6) | 17.510 | 47,3 (45,4 a 49,1) | 15.691 |
| Queda dos brancos | 17,5 (11,4 a 23,6) | 931 | 82,5 (76,4 a 88,6) | 4.394 |
| Queda dos nulos | 18,9 (14,3 a 23,5) | 2.522 | 81,1 (76,5 a 85,7) | 10.835 |

Pela estimativa, os votos dos demais candidatos e as quedas de brancos e nulos foram majoritariamente para Lula. Os novos comparecentes se dividiram de forma próxima entre os dois, com ligeira vantagem estimada para Flávio Bolsonaro.

A estimativa tem duas limitações:

- ela supõe que cada fonte se dividiu na mesma proporção em todas as seções do escopo;
- as fontes são líquidas: quem votou em branco no 1º turno e se absteve no 2º não aparece como movimento.

## Explicações alternativas

Os achados podem ter explicações benignas, que devem ser consideradas antes de qualquer conclusão.

**Repetição de 195 votos na zona 57**

- seções com eleitorado e perfil semelhantes;
- seções especiais com padrão próprio;
- coincidência entre muitos testes.

A checagem de locais mostrou seções espalhadas por 6 locais. Isso reduz o peso da primeira explicação, mas não elimina as demais.

**Variação na seção 95 de Nortelândia**

- O local é uma cadeia pública, com eleitorado de padrão próprio. A checagem automática classificou isso como explicação.
- A seção é pequena, com 29 aptos, e poucos votos alteram muito o percentual.
- Também são possíveis mudanças de eleitorado entre turnos e eventos locais.

**Em geral**

- Com controle de falsas descobertas em 5%, até 1 em cada 20 alarmes pode ser fruto do acaso.
- As diferenças por horário de encerramento se explicam em grande parte pela geografia, já visível no 1º turno.
- A associação entre biometria e voto pode refletir o perfil do eleitorado.

## Próximos passos de verificação

A integridade dos arquivos já foi verificada. Os arquivos de votação têm o SHA-256 registrado na carga. Os boletins de urna foram conferidos contra o SHA-512 publicado pelo TSE.

Também já conferem:

- nos dois alarmes, os boletins de urna em relação ao arquivo publicado;
- os locais de votação;
- em Nortelândia, os eleitores aptos.

Nenhuma checagem ficou em "atenção". Restam apenas as conferências manuais, que dependem de documentos fora do sistema:

1. **Paranatinga/MT, zona 57:** conferir no local as atas e o perfil das seções 3, 4, 6, 10, 15 e 22 de Paranatinga e 54 e 87 de Gaúcha do Norte. O objetivo é verificar se são seções especiais ou de perfil muito semelhante.
2. **Nortelândia/MT, zona 17, seção 95:** conferir a ata da mesa receptora e os eventos locais no dia (acesso, clima, transporte, ocorrências). Qualquer mudança na população da unidade prisional entre os turnos é especialmente relevante.

## Considerações finais

Em MT, a auditoria encontrou poucos alarmes:

- **Análise por zona:** nenhum critério de empates gerou alarme. Só a zona 57 tem alarme, por uma repetição por valor.
- **Último dígito:** nenhuma anomalia.
- **Repetições nacionais:** nenhum alarme no Brasil.
- **Totais iguais entre zonas:** dentro do esperado.
- **Repetições exatas:** 1 anomalia, com 195 votos repetidos em 8 seções da zona 57. Ainda não há explicação nos dados, e o caso aguarda a conferência das atas.
- **Variações entre turnos:** 1 anomalia, na seção 95 de Nortelândia, com explicação plausível por se tratar de seção em unidade prisional.
- **Horário de encerramento:** dentro da mesma zona, as seções tardias não mostram diferença detectável na fatia dos candidatos, apenas pequenas diferenças de comparecimento.

Anomalias estatísticas indicam onde olhar, não o que concluir. Elas não constituem, por si só, evidência de fraude ou de irregularidade. Cada alarme deve ser verificado no boletim de urna, na ata da seção e no contexto local antes de qualquer conclusão.